Autoridade
Qual o fundamento que usamos para descobrir
a vontade de Deus?
Autoridade significa o direito e a capacidade de
comandar, fazer leis, exigir obediência e julgar. Em outras
palavras, a nossa autoridade é o fundamento ou o padrão que temos
para distinguir o certo do errado. Em todas as áreas, tem que haver
um padrão de autoridade. Para as distâncias, a autoridade é o
metro; para o peso, é a balança; para o tempo, o relógio; na
escola, o diretor. Dependemos da autoridade para tudo o que
realizamos; sem autoridade, só há confusão e anarquia.
Também na religião, a autoridade é vital.
Como podemos discernir o certo do errado? Qual o fundamento que
usamos para descobrir a vontade de Deus?
A fonte da
autoridade
- Deus
Em última análise, Deus é a autoridade sobre
todas as coisas. Ele nos criou; nos julgará; nunca erra. É o
soberano governador sobre todas as coisas e sobre todas as nações
(veja Daniel 4).
- Jesus
No presente século, Deus deu toda a
autoridade a seu Filho, Jesus Cristo (Mateus 17:5; 28:18). Jesus
sempre transmite a mensagem de Deus (João 7:16; 12:48,49). Ele
sempre fala a verdade (João 14:6; 18:37). É Senhor sobre o céu e a
terra (Mateus 28:18; Efésios 1:21); sobre judeu e gentio (Romanos
10:12); sobre palavras, ações e pensamentos (Colossenses 3:17;
Hebreus 4:12,13); sobre os vivos e os mortos (Romanos 14:9). Jesus
apresentou as credenciais que provavam que sua autoridade não era
apenas uma alegação infundada; ele tem de fato toda a autoridade.
Seus maravilhosos ensinos, seu caráter, seus milagres, as profecias
detalhadas que ele cumpriu e, acima de tudo, a sua ressurreição
provam a afirmação de Jesus, de que ele é a autoridade
absoluta.
- As Escrituras
Jesus confirmou a autoridade da Bíblia. Ele
confirmou a inspiração do Antigo Testamento. Muitas vezes, ao
referir-se às Escrituras, disse: "não lestes . . .?" ou "está
escrito". Ele disse que a Escritura não podia falhar (João 10:35),
e nem mesmo um i ou um til jamais passaria da lei
até que tudo se cumprisse (Mateus 5:18).
Jesus afirmou a autoridade dos apóstolos. Ele
prometeu enviar o Espírito Santo, o qual os guiaria para revelar
toda a verdade (João 14:26; 15:26,27; 16:12,13). Enviou os
apóstolos com a missão de lhe servirem como porta-vozes e
representantes (João 20:21; Mateus 28:19,20; Atos 1:8). Os próprios
apóstolos afirmaram ter recebido a sua mensagem por revelação de
Deus (Efésios 3:3-5; 1 Tessalonicenses 4:2; 1 Coríntios
2:10-13).
A mensagem dos apóstolos é registrada na
Bíblia. Isso significa que as palavras das Escrituras são os
mandamentos de Deus (1 Coríntios 14:37). A Bíblia é a revelação de
Deus para o homem; é a nossa autoridade. As suas palavras são as
palavras de vida eterna, as quais nos julgarão no último dia (João
6:68; 12:48).
- As fontes em que não se deve buscar
autoridade
Há coisas que se usam de modo errôneo como a
autoridade religiosa. Algumas pessoas, por exemplo, seguem a sua
consciência. Mas a consciência apenas mostra nossos pensamentos
sobre o que é certo, mas não declara o que é objetivamente
verdadeiro. Veja o caso de Paulo: ele tinha uma boa consciência,
mesmo perseguindo os cristãos (Atos 23:1). Alguns obedecem as
próprias idéias e desejos, mas o resultado é desastroso. (Veja
Juízes 17-21, especialmente 17:6 e 21:25, que mostram o resultado
das pessoas que fazem o que é bom aos próprios olhos.) Há pessoas
que servem às tradições e às doutrinas dos homens. Jesus, porém,
condenou os fariseus por observarem as tradições humanas (Marcos
7:1-13). Há ainda quem siga a igreja. As Escrituras mostram, no
entanto, que as igrejas muitas vezes se afastam da verdade (Atos
20:29-31; 2 Tessalonicenses 2; 1 Timóteo 4:1-3; Apocalipse 2-3).
Alguns seguem revelações posteriores, concedidas por algum mestre
notável. Mas Paulo ensinou que, ainda que um anjo, vindo do céu,
rvelasse algo que divergisse do evangelho, não deveríamos acreditar
(Gálatas 1:6-9).
A única autoridade satisfatória para nós em
nosso serviço a Deus é a Bíblia.
As características da nossa
autoridade
- Escrita
A autoridade de Deus é expressa em palavras.
Ao escrever a Bíblia, seus autores o fizeram por inspiração do
Espírito Santo. Os autores do Antigo Testamento falavam quando
movidos pelo Espírito Santo (2 Pedro 1:20-21), de modo que Deus
falava pela boca deles (Atos 3:18, 21). Os escritores do Novo
Testamento também proferiram as palavras escolhidas pelo Espírito
Santo (1 Coríntios 2:13), de modo que, conseqüentemente, anunciaram
os mandamentos do Senhor (1 Coríntios 14:37). Tanto o Antigo
Testamento quanto o Novo são chamados de Escrituras (1 Timóteo
5:18), e as Escrituras como um todo são inspiradas por Deus (2
Timóteo 3:16-17). A palavra inspirada, que é usada neste
trecho, significa literalmente "soprada por Deus". A Bíblia é a
maneira que Deus usou para revelar a sua vontade ao
homem.
Às vezes, as pessoas ficam surpresas pelo
fato de que Deus pudesse usar homens para escrever a sua revelação.
Mas a sua capacidade de se revelar com exatidão por meio dos homens
não se trata de uma idéia nova. Deus escolheu revelar-se por meio
de Jesus Cristo. Jesus teve forma humana, mas ele foi a
manifestação exata da natureza de Deus. Assim, também a Bíblia foi
escrita por homens e, portanto, tem forma humana, mas expressa
exatamente a vontade de Deus.
- Perfeita
As Escrituras não têm erros. Da mesma forma
que Jesus veio ao mundo como homem, mas jamais pecou, também a
Bíblia foi escrita por homens, mas não contém erros. Deus não pode
mentir (Números 23:19; 1 Samuel 15:29; Tito 1:2; Hebreus 6:18);
portanto, tudo o que diz é verdade. Cada palavra da Bíblia é
exatamente o que ele queria que estivesse escrito. Jesus disse que
as Escrituras não podem falhar (João 10:35). Muitas vezes, os
escritores do Novo Testamento fundamentam um argumento em apenas
uma simples palavra das Escrituras (veja, em Hebreus 2:11-12,
"irmãos"; em 3.7-4.13, "hoje"; em 8.8-13, "nova" etc.). Eles foram
capazes de comprovar o que afirmavam com apenas uma palavra da
Bíblia, porque cada palavra das Escrituras é verdadeira e
precisa.
- Rigorosa
As Escrituras devem ser aplicadas à risca. É
assim que acontecia no Antigo Testamento. Moisés recebeu a ordem de
construir o tabernáculo de acordo com o padrão que Deus lhe havia
mostrado (Êxodo 25:9,40; 26:30; 27:8), e agiu exatamente como o
Senhor lhe ordenou (Êxodo 40:16,19,21,23, 25,27,29,32). Portanto,
Deus desceu e habitou no tabernáculo (Êxodo 40:34-38). Mais tarde,
Moisés advertiu que não se retirasse nada da Palavra, nem lhe
acrescentasse qualquer coisa (Deuteronômio 4:2; 12:32); também que
o povo não se desviasse nem para a esquerda, nem para a direita
(Deuteronômio 5:32-33; 17:20; 28:14). Deus ordenou que Josué não se
voltasse para a esquerda, nem para a direita, mas agisse apenas
segundo o que a lei mandava (Josué 1:7), e Josué mais tarde ordenou
ao povo que fizesse o mesmo (Josué 23:6). Do começo ao fim do
Antigo Testamento, ensinam-se princípios semelhantes. O Novo
Testamento também deve ser aplicado com rigor. Só quem faz a
vontade do Pai será abençoado (Mateus 7:21). É estritamente proibda
a pregação de um evangelho que divirja da verdade das Escrituras
(Gálatas 1:6-9). Paulo mostrou que, mesmo no caso de um acordo
feito por homens, após firmado, ninguém pode acrescentar nem
retirar nada (Gálatas 3:15). Acrescentar às Escrituras ou
subtrair-lhes alguma coisa é absolutamente condenado (Apocalipse
22:18-19).
Desobedecer à autoridade de Deus acarreta
graves conseqüências. Quando Adão e Eva, no jardim, comeram o fruto
que Deus lhes havia proibido, foram punidos severamente. Muitas
vezes, Deus mostrou o seu parecer quanto à desobediência. Quando
exigiu que não se trabalhasse no sábado, aquele que juntasse lenha
naquele dia deveria ser apedrejado (Êxodo 35:2-3; Números
15:32-36). Quando ordenou que o fogo usado para o incenso fosse
extraído de determinada fonte, os que ofereciam fogo estranho eram
incinerados (Êxodo 30:9; Levítico 10:1-2). Quando Deus ordenou a
Saul que destruísse completamente os amalequitas, este foi punido
apenas por poupar alguns animais com o objetivo de oferecê-los em
sacrifício a Deus (1 Samuel 15). Deus afirmou: ". . . o obedecer é
melhor do que o sacrificar . . ." (1 Samuel 15:22). Deus castiga a
desobediência.
A necessidade de
autoridadeÉ necessário ter a
permissão de Deus, ou seja, sua autorização antes de fazermos
qualquer coisa. Se Deus não manifestou a sua aprovação, não temos o
direito de agir. Isso é muito importante, apesar do fato muitos
acreditam que podem fazer qualquer coisa que Deus não tenha
proibido expressamente. Pessoas assim não vêem nenhuma necessidade
para receber permissão do Senhor. Mas a Bíblia ensina que tudo o
que está fora da autorização de Deus é errado.
- Não acrescentar
Estamos proibidos de acrescentar alguma coisa
ao que está escrito ou ultrapassá-lo (Deuteronômio 4:2; 12:32;
Provérbios 30:5-6; Apocalipse 22:18-19; 1 Coríntios 4:6). Todas as
boas obras encontram-se nas Escrituras; portanto, toda obra que não
esteja nas Escrituras não é boa (2 Timóteo 3:16-17). Não temos
direito algum de ultrapassar a doutrina de Cristo; antes, devemos
permanecer debaixo de sua autoridade (2 João 9). Há apenas duas
fontes de autoridade: ou de Deus ou do homem. Se determinada
prática não se acha na Bíblia, ela provém do homem. No entanto,
sabemos que o fato de seguir os ensinos do homem invalida a nossa
adoração, e que os ensinos do homem serão retirados (Mateus
15:9,13). Isso quer dizer que não basta dizer que uma coisa não foi
especificamente proibida; se Deus não expressa a sua permissão,
então é errada.
- Não agir por
presunção
Agir sem a permissão clara de Deus é agir
presunçosamente. A presunção é sempre condenada na Bíblia. Quando
Saul atreveu-se a achar que não fazia mal se ele oferecesse os
sacrifícios, ainda que Deus não houvesse dito isso, foi condenado
(1 Samuel 13). Enquanto Naamã confiou presunçosamente que os rios
da Síria lhe concederiam a purificação da mesma forma que o rio
Jordão, continuou com lepra (2 Reis 5). Quando Nadabe e Abiú
tomaram por certa a permissão de oferecerem outro fogo, a respeito
do que Deus não falou, foram consumidos por Deus (Levítico 10).
Quando Uzias confiou por presunção que um não-levita pudesse
queimar incenso, ainda que Deus não o houvesse declarado, foi
castigado com lepra (2 Crônicas 26). Fazer o que Deus não autorizou
é agir por presunção e pecar.
- Exemplos bíblicos
Observe o caso de Davi e a arca de Deus. Deus
havia ordenado que a arca fosse transportada pelas varas sobre os
ombros dos levitas. Não disse nada sobre transportá-la de carro de
boi. Ele não especificamente proibiu isso; mas também não
autorizou. Podemos agir sem a permissão de Deus? Podemos fazer o
que ele não autorizou claramente? 1 Crônicas 13 e 15 respondem sem
sombra de dúvida: "Não!". Por ser a arca, nesse caso, carregada de
modo não permitido, Uzá foi atingido e morto por castigo. Antes de
agir, devemos confirmar nas Escrituras se Deus aprova o que
queremos fazer.
Hebreus 7:12-14 é mais um exemplo disso. Para
provar que a lei havia mudado, o escritor mostra que o sacerdócio
(elemento fundamental da lei) foi mudado. Ele prova que esta
mudança aconteceu da seguinte forma: Cristo é um sacerdote; ele é
da tribo de Judá. Mas a lei do Antigo Testamento nunca mencionou
sacerdotes de Judá. Portanto, a lei só podia ter sido mudada. Se a
lei não dissesse nada a respeito de um sacerdote de certa
tribo, não poderia haver nenhum sacerdote daquela tribo segundo a
lei. O silêncio de Deus não dá permissão; seu silêncio proíbe. Se
Deus não se pronuncia a respeito de uma ação, não se tem o direito
de agir.
- Exemplos do
dia-a-dia
É fácil encontrarmos exemplos da necessidade
de autoridade no dia-a-dia. Imagine que você tenha encomendado um
par de sapatos do Mappim. Poucos dias depois, um enorme caminhão de
entregas estaciona em frente a sua casa e dois homens fortes descem
do veículo. Eles abrem as portas trazeiras do caminhão e arrastam
com dificuldade duas caixas até o seu portão: uma caixa pequena de
sapatos e outra enorme. Você vai até o portão e
pergunta:
-- O que é isso?
-- A gente é do Mappin. Viemos entregar uma
caixa de sapato e uma geladeira -- respondem. Imediatamente você
liga para a loja e reclama:
-- O caminhão de entregas de vocês acabou de
trazer uma geladeira que eu não pedi. O funcionário que o está
atendendo pede que espere um segundinho e volta ao telefone com a
fatura em mãos.
-- Deixe-me entender . . . O senhor não
gostou porque os nossos entregadores deixaram uma geladeira em sua
casa. É isso? — confirma ele.
-- Exatamente — você responde. Então o
funcionário retorna:
-- Mas, senhor, eu estou com a sua nota bem
aqui na minha mesa. E em lugar nenhum aqui o senhor declara que não
queria receber uma geladeira. Obviamente, você não precisava ter
dito para que não enviassem. O simples fato de você não ter
solicitado aquele eletrodoméstico significa que a loja não estava
autorizada a enviá-lo. Ou então imaginemos que eu tenha adoecido e
fui procurar um médico, o qual me mandou à farmácia com uma
receita. Após tomar o remédio por alguns dias, meu estado se
agravou e retornei ao consultório. O médico liga para o
farmacêutico e pergunta:
-- Que componentes você colocou no remédio
que deu ao meu paciente.
-- O A, o B e o C, senhor — responde
ele.
-- Mas eu só disse que pusesse o A e o B .
Por que você acrescentou o C? -- retorna o médico. Você pode
imaginar o choque que o médico levaria se o farmacêutico
respondesse: "Mas, senhor, a receita está bem na frente dos meus
olhos, e não está escrito em lugar nenhum que eu não pudesse
incluir o C"? Naturalmente, o farmacêutico não tinha direito algum
de acrescentar uma droga sem autorização! Em qualquer momento da
vida, sabemos que é necessário ter autoridade antes de
agir.
Para entender a
autoridadeA Bíblia refere-se às
coisas como ligadas ou desligadas (Mateus 16:19; 18:18). Deus ligou
algumas coisas e não deu nenhuma liberdade de escolha nesses casos.
Ele desligou outras, dando-nos uma variedade de opções. Mas como
sabemos qual é qual?
Digamos que eu dê cinco reais ao meu filho e
lhe peça que vá à padaria comprar pão. Ele volta com uma dúzia de
pãezinhos, uma casquinha de sorvete, um pacote de chicletes, uma
barra de chocolate e algumas moedinhas. Ele me obedeceu? Não. Eu
não lhe dei autorização para comprar os doces. Mas e se eu lhe
mandasse ao supermercado comprar frutas e ele retornasse com um
cacho de bananas. Estaria me obedecendo? Sim. Porque eu
“liguei” frutas, mas “desliguei” o tipo de
frutas. Embora eu não tenha mencionado bananas especificamente, o
fato de serem elas um tipo de frutas significa que meu filho me
obedeceu ao comprá-las. Quando lhe pedi que comprasse frutas, as
bananas eram permitidas, mas uma barra de chocolate não seria. De
modo geral, quanto mais específica for a determinação, mais se
"ligará" e menos ficará "desligado".
Veja alguns exemplos bíblicos. Deus mandou
que Noé construísse uma arca de tábuas de cipreste. Isso quer dizer
que Noé não tinha a permissão da parte de Deus de construir a arca
de cedro ou jacarandá. Por outro lado, Deus não especificou onde
Noé encontraria a madeira: se compraria em depósitos de madeira, se
cortaria ele mesmo as árvores, etc. Assim, o tipo de árvore estava
"ligado", mas a forma de consegui-la estava "desligada".
Deus mandou que Naamã mergulhasse no Jordão
para ser purificado da lepra (2 Reis 5). Ele não tinha nenhum
direito, portanto, de mergulhar nos rios da Síria, o Abana e o
Farfar. Mas Deus não especificou em que altura do Jordão ele devia
mergulhar. Deus "ligou" o rio, mas "desligou" a localização exata
no rio.
AplicaçõesÉ muito
importante aplicar corretamente esses princípios de autoridade.
Examine a questão do batismo. Deus ordenou que os crentes fossem
batizados (Mateus 28:19; Marcos 16:16; Atos 2:41); mas não
autorizou o batismo de recém-nascidos ou crianças de colo.
Portanto, é errado batizá-las. Deus não especificou o local de
batismo, então pode-se batizar num tanque, num rio, num oceano ou
em qualquer outro lugar com água suficiente. Retornando ao exemplo
acima, o batismo de crianças seria a barra de chocolate; o lago é a
banana. Em outras palavras, Deus delimitou quem deve receber o
batismo, mas não delimitou o local.
Veja o exemplo da ceia do Senhor. Deus
ordenou aos discípulos que lembrassem de sua morte compartilhando
juntos do pão e do fruto da videira. Seria errado servir chá com
bolo na Mesa do Senhor. Alguns podem afirmar que Deus não proibiu
especificamente o uso de chá e bolo na ceia do Senhor, e isso é
verdade. Mas ele não autorizou o seu uso; a ausência da permissão
expressa de Deus significa que não temos direito algum de nos
atrever a pensar que ele aceitaria esse acréscimo. Por outro lado,
a Bíblia não especifica o tipo de prato em que se deve servir o
pão. Temos, portanto, a permissão de usar o meio mais fácil para a
distribuição do pão, uma vez que ainda estamos fazendo exata e
somente o que Jesus ordenou: partilhando do pão e do suco da
videira.
Reflitamos sobre o uso da música no culto a
Deus. O Novo Testamento nos autoriza a cantar (Efésios 5:19;
Colossenses 3:16). Tocar piano ou teclados seria acrescentar algo
que Deus não ordenou. Usar um livro de cânticos para não esquecer a
letra não se trata de um acréscimo. No primeiro caso, estamos
fazendo algo além de cantar: tocar. No segundo, ainda estamos
apenas cantando. O instrumento musical é a barra de chocolate; o
livro de cânticos, o embrulho das bananas.
Há, naturalmente, muitas outras aplicações
desses princípios. Precisamos ter a permissão de Deus antes de
agir. Se Deus não se pronunciou sobre determinado assunto, não
devemos atrever-nos a crer que ele se agradará se o fizermos.
Devemos amar a Deus o bastante para questionar qualquer ensino ou
prática religiosa: “Em que lugar Deus autorizou isso? Provém
do Senhor ou é invenção humana?” E devemos ter a coragem de
abandonar cada ato não autorizado. O mesmo Deus que consumiu Nadabe
e Abiú com fogo do céu nos castigará se fizermos acréscimos ao que
ele ordenou.
|